A importância da teoria na formação em dança
- Nayara Calixto

- 7 de abr.
- 2 min de leitura
É comum as pessoas pensarem que aulas de dança se resumem a uma prática corporal, porém, existe uma diversidade de conteúdos igualmente essenciais para a compreensão sobre dança que vão além das aulas práticas e dos palcos: os estudos teóricos.
A teoria é fundamental para a compreensão ampla sobre a dança que dançamos, pois auxilia no entendimento histórico, social e cultural da dança, interferindo diretamente na forma como dançamos e no nosso entendimento sobre dança.
Para enfatizar a relevância desse debate, deixo uma reflexão:
Imagine que está conversando com uma pessoa que nunca teve nenhum tipo de contato com a dança que você pratica. Você consegue explicar o que é essa dança para essa pessoa? Você consegue conversar sobre os aspectos técnicos e históricos dessa dança com um grupo de pessoas? O primeiro fator que torna os estudos teóricos importantes é o fato de eles nos oferecerem repertórios para conseguirmos ter uma simples conversa sobre algo que fazemos. Dançar não se resume, ou ao menos não deveria se resumir, à cópia de movimentos pré-definidos pelo professor.
Engana-se quem pensa que os estudos teóricos são sobre decorar datas e “eventos marcantes” na história da dança. A história da dança é apenas um dos pontos dentro dos estudos teóricos que, obviamente, é muito importante. Porque estudar a história da dança permite entendermos a construção da dança que dançamos e das ideias, regras, estética e políticas que a constituem.
Vale ressaltar que estudar a história da dança é estudar a história da humanidade, porque a dança é sempre criada e dançada por pessoas. Logo, ao estudar a história da dança, podemos compreender junto todo o contexto político e cultural de uma época e de uma sociedade.
Os estudos teóricos da dança podem envolver conteúdos sobre anatomia e fisiologia. O elemento primordial para dançar é o corpo. Conhecer o corpo de forma mais profunda pode proporcionar uma dança mais consciente e prevenir lesões.
Ademais, pesquisadores como Rudolf Laban e Helenita Sá Earp desenvolveram o que podemos chamar de sistemas de análise de movimento que são bases de estudos em graduações em Dança no Brasil. Esses estudos auxiliam em uma prática de dança mais consciente do movimento.
Isso enfatiza que a dança, para além de linguagem artística, é uma área de conhecimento independente, desmistificando ideias que a reduzem a mera reprodução de movimentos ou como algo ingênuo, vazio de intenções políticas e aspectos socioculturais.
Para quem deseja ser professor de dança, os estudos teóricos se ampliam para a área da educação, mais especificamente de um campo de pesquisa chamado Dança-Educação. Assim como professores de outras áreas de conhecimento, como geografia e matemática, docentes da dança precisam ter conhecimento acerca da área da educação para desenvolverem suas metodologias de ensino e práticas pedagógicas.
Dessa forma, é possível concluir que os estudos teóricos influenciam diretamente a prática, auxiliando em uma dança mais consciente em relação à história, contexto, corpo, movimento e educação.
Na Balleto, buscamos integrar a prática e a teoria da dança, buscando uma formação artística completa. Porque, na dança, a prática e a teoria devem caminhar, dançar, lado a lado. Um complementa e fortalece o outro, formando bailarinos com uma boa base técnica, com embasamento teórico e senso crítico.




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