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Espetáculo 2026 - Game Milk Park

  • Foto do escritor: Nayara Calixto
    Nayara Calixto
  • 27 de jul.
  • 2 min de leitura

Uma característica presente nas últimas produções autorais da Balleto é a abordagem de questões do cotidiano e de temas sociais. No espetáculo de 2026, não seria diferente. Game Milk Park, texto de Bruna Bottino, convida o público a refletir sobre as pressões invisíveis (que, na verdade, são bastante visíveis) que moldam a infância e nos lembra que crescer não deveria significar deixar de ser quem somos.


A história acompanha Paty, uma menina curiosa, sensível, criativa e, acima de tudo, questionadora. Ela faz perguntas que muitos adultos deixaram de fazer.

Ao chegar ao Game Milk Park, um parque de diversões aparentemente comum, Paty é recebida pelo simpático guia Sr. Augusto, que a convida a conhecer as atrações/ brinquedos que, segundo ele, são essenciais para crescer. Conhecedor de cada espaço do parque, ele também domina todas as suas regras.

Ao seu lado está Tobias, seu auxiliar. Sempre disposto a ajudar, Tobias quase sempre acaba atrapalhando.


Há ainda a Voz do Parque. No início, ela transmite acolhimento e entusiasmo. Com o passar do tempo, porém, seus anúncios, reproduzidos pelos alto-falantes, passam a reforçar ideias como a comparação e a busca incessante pela perfeição.


Por fim, existe o Dono do Parque, uma figura que ninguém jamais viu ou sabe quem é — nem mesmo o Sr. Augusto ou Tobias. Ele representa as pressões invisíveis da sociedade: aquelas que moldam comportamentos, estabelecem padrões e influenciam nossas escolhas sem que, muitas vezes, percebamos.


Como qualquer criança, a princípio Paty se encanta pelas atrações do parque. No entanto, entre o Carrossel da Comparação, a Montanha-russa do Sucesso e o Trem Fantasma dos Medos Inventados, logo começa a perceber que, por trás de cada um desses brinquedos, existe algo estranho. É justamente nesse momento que reside o que, a meu ver, é o coração da história: ela só acontece porque Paty questiona. E essa é uma qualidade preciosa, pois são as perguntas, mais do que as respostas, que impulsionam o mundo. É por meio delas que exercitamos o pensamento crítico, ampliamos nossa compreensão da realidade e refletimos sobre o nosso lugar na sociedade.


As crianças são naturalmente questionadoras. Perguntam para entender os porquês da vida, desafiam o óbvio e enxergam possibilidades onde os adultos já não enxergam. Mas, à medida que crescem, muitas vezes são desencorajadas a perguntar e, consequentemente, a pensar de forma crítica, porque vivemos em uma sociedade que frequentemente valoriza a obediência, a adaptação e a conformidade acima da curiosidade e da autonomia.


Se Paty não questionasse os brinquedos e as regras do parque, seria apenas mais uma criança seguindo o caminho que lhe foi imposto. Ao escolher perguntar, ela rompe com aquilo que parece natural e nos convida a fazer o mesmo.


Game Milk Park não é apenas uma história sobre uma menina em um parque de diversões; é um convite para recuperarmos a curiosidade e a coragem de questionar aquilo que nos dizem ser inevitável. Afinal, é nas perguntas que começa toda possibilidade de mudança.


O desfecho dessa história vocês assistirão nos dias 12 e 13 de dezembro, no Teatro Carlos Gomes.




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