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Além do movimento: ética, poder e limites nos ambientes educativos de dança

  • Foto do escritor: Nayara Calixto
    Nayara Calixto
  • 10 de fev.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 13 de fev.

De origem grega (ethos-caráter), a ética é um campo de estudo da filosofia que comumente é definida como um conjunto de ideias, de princípios, que orientam as ações das pessoas, distinguindo o que é “bom” e “mau”, correto e incorreto.

Na contemporaneidade, discutir sobre ética nos contextos artístico-pedagógicos, como nas escolas de dança, é de extrema importância, pois significa pensar a formação cidadã de indivíduos por meio da dança, tradições, hierarquias, poder, processos criativos e as relações humanas que envolvem todos esses pontos.

À vista disso, no post de hoje falaremos sobre ética na relação professor-aluno e entre as escolas de dança.


  • Ética na relação professor-aluno / bailarino-coreógrafo:

Tradicionalmente, o ensino da dança carrega a ideia de disciplina. A disciplina é algo necessário em muitas esferas da vida por nos auxiliar a ter comprometimento e organização no cumprimento de tarefas cotidianas. Logo, a disciplina em si não é um problema, mas sim o modo como a aplicamos e os princípios que a fundamentam.

No ensino da dança, a disciplina pode se tornar um problema quando está associada a uma educação do corpo de caráter adestrador e silenciador, marcada pelo autoritarismo e violência simbólica. Esse tipo de ensino ainda é bastante comum no balé clássico, uma dança que, desde sua origem, carrega a disciplina e as regras de etiqueta da corte francesa desenvolvidas com o objetivo de educar (adestrar) o corpo para viver na corte e seguir as regras de comportamento impostas por contexto político monárquico (todo poder nas mãos do rei).

Em meio a isso, está a figura do(a) professor(a). O(A) professor(a), coreógrafo(a), ensaiador(a) sempre será uma autoridade na sala de aula, no entanto, essa autoridade deve estar ligada a uma liderança pedagógica e não ao autoritarismo.

A ética na dança deve questionar as tradições problemáticas que foram naturalizadas e justificadas pela disciplina, passando a entender o ensino como um espaço de respeito mútuo, cuidado e escuta.

Vale lembrar que essa ideia de disciplina autoritária, que pode levar ao silenciamento e violências, tem a possibilidade de ocorrer no ensino de todas as modalidades de dança e em diferentes ambientes educativos.


  • Ética entre as escola de dança:

A ética entre as escolas de dança inicia pelo cuidado e respeito ao se referirem umas às outras. É necessário ter cuidado na forma de falar do trabalho de outras escolas, de seus professores e métodos. O campo da dança sempre foi muito competitivo, mas a competição pode ser algo bom e saudável se houver ética. Por exemplo, concorrer por qualidade e excelência artístico-pedagógica, sem desmerecer o trabalho de outras instituições e profissionais, beneficia os alunos diretamente.

Além disso, algo que vale mencionar nessa discussão é a disputa por alunos. Escolas de dança são empresas que precisam de alunos para se manterem abertas. No entanto, é relevante observarmos os limites. É ético divulgar o trabalho da escola e fazer campanha para o ingresso de novos alunos. Porém, abordar alunos já matriculados em uma escola e oferecer “vantagens financeiras” e/ou falar mal da instituição para que eles troquem de escola não são atitudes éticas.

Antes de serem empresas, escolas de dança são um espaço de ensino da Arte e, consequentemente, devem ser um ambiente de desenvolvimento e de formação humana. A postura da escola reflete diretamente na formação cidadã e artística de seus alunos. E lembre-se: ter diferentes escolas de dança amplia e fortalece  o campo da dança, tornando-a mais acessível e diversa.



 
 
 

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