top of page

O corpo que abre caminhos e conta histórias: A Comissão de Frente sob o olhar de quem a vive

  • Foto do escritor: Nayara Calixto
    Nayara Calixto
  • 13 de fev.
  • 12 min de leitura

Entrevista com Marcos Henrique e Nathália Menezzes


A Comissão de Frente anuncia o espetáculo, traduz o tema e convida o público a mergulhar na história que será contada pela escola de samba. Para conhecermos mais sobre a trajetória e os processos criativos de uma Comissão de Frente, conversaremos com Marcos Henrique Souza (coreógrafo da G.R.E.S. Renascer de Vaz Lobo, pesquisador e mestre em Dança pela UFRJ, sambista) e com Nathália Menezes (coreógrafa da Comissão de Frente da A.R.E.S. Vizinha Faladeira, preparadora corporal do 3º casal de mestre-sala e porta-bandeira da G.R.E.S. Portela e diretora artística da G.R.E.S. Unidos da Ponte).


1 – O que é comissão de frente?

Natália explica que: “A comissão de frente é o primeiro contato entre a escola e o público. É quem apresenta o enredo corporalmente, antes de qualquer carro, ala ou fantasia explicar qualquer coisa. Ela não “abre” o desfile só no sentido cronológico: ela abre a leitura, cria o pacto simbólico e emocional entre quem desfila e quem assiste. Em uma breve definição da principal liga organizadora dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, ela explica que as comissões de frente revelam a criatividade, teatralidade, sincronia e impacto visual para introduzir a história contada na Avenida ”.

Para Marcos, a definição da comissão de frente depende do lugar de quem responde, logo, para defini-la, ele parte de pesquisas, sem desconsiderar os relatos orais: “(...) Hoje, Comissão de Frente, nas minhas palavras, pode ser conceituada como o primeiro grupo humano formado de 10 a 15 pessoas à mostra, a depender da liga em que desfila, que tem como função anunciar e apresentar a escola ao público com uma apresentação cênica que pode mesclar elementos da dança, do teatro, do circo e da arte da Performance, encenando uma síntese do enredo ou parte dele para o público e jurados. Essa apresentação é avaliada e é um dos quesitos que pontuam dentro do desfile, tornando-se um dos momentos mais aguardados do desfile pela exploração de soluções tecnológicas e criativas”.


2 – Como surgiu a comissão de frente e qual era sua função original nos desfiles de carnaval?

Nathália explica que: “A comissão de frente surge antes mesmo da consolidação das escolas de samba enquanto instituições. Em meados do século XIX, os ranchos e sociedades carnavalescas desfilavam pelas ruas do país divertindo a população na época do carnaval. Com as pessoas espalhadas pelas ruas brincando, era necessário que houvesse alguém responsável por abrir caminho para que as sociedades e ranchos pudessem passar. Homens bem trajados, muitas vezes de terno e chapéu, eram esses responsáveis que vinham à frente montados a cavalo formando um grupo organizado, uma espécie de comissão que garantia a abertura de caminho para a passagem dos cortejos. Com o passar dos anos, esses homens foram incorporados aos festejos e conforme eles abriam caminho, iam saudando o público, acenando e tirando seus chapéus em respeito e cumprimento aos presentes. Era quase um cartão de visitas humano, marcado pela postura, elegância e organização, sem dança, fantasia ou muito menos coreografia como conhecemos atualmente”.

Marcos complementa: “(...) Em 1938, a Comissão de Frente torna-se quesito e, concomitantemente, é avaliada e regulada. As primeiras comissões mantinham a função de saudar o público, garantindo uma abertura mais despojada. Com a entrada de artistas plásticos no desfile, em busca de coesão artística, procura-se fazer com que essa parte do desfile, de alguma forma, relacione-se com o todo e com isso, esses componentes passam a vestir fantasias pertinentes ao enredo. Na Portela, tornou-se tradicional que membros masculinos da velha guarda viessem vestindo fraque e cartola para esta função. Esses grupos realizavam ações parcialmente coreografadas: tiravam a cartola, giravam o corpo, apontavam para a escola que vinha atrás, marcavam gestos específicos quando o nome da escola era cantado no samba-enredo. As regras atuais do quesito ainda preservam esses vestígios históricos: a obrigação de apresentar a escola quando seu nome é cantado, a saudação aos jurados e a entrada organizada do desfile”.


3 – Quais foram as principais transformações da comissão de frente ao longo da história do carnaval?

Marcos: “De seu estabelecimento como quesito, em 1938, até a década de 1970 as comissões mantiveram as funções já mencionadas. A partir daí, inovações começam a despontar com a contratação de profissionais específicos para cuidar desse segmento. Com isso, uma das principais transformações foi a introdução da dança como elemento central e, paulatinamente, estabelece-se o profissional da dança nesse espaço. A partir daí, surge a figura do coreógrafo responsável por organizar esse grupo, o que já indica uma afinidade direta com o campo da dança. Apesar de a comissão de frente dialogar com teatro, circo e performance, ela se aproxima da dança pelo próprio nome do profissional que ocupa esse lugar: coreógrafo. Por volta da década de 1980, esse profissional já está estabelecido como cargo essencial nos desfiles. Nos primeiros anos, esse espaço foi ocupado majoritariamente por profissionais ligados ao balé clássico, muitos vindos do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Isso se relaciona a um contexto em que o carnaval buscava legitimação estética a partir das chamadas “belas artes”. Da mesma forma que regentes da música erudita eram convidados para avaliar a bateria, bailarinos e coreógrafos do balé eram chamados para organizar a parte corporal do desfile. Com o tempo, as comissões de frente passaram a ser compostas por pessoas mais jovens, com maior aptidão corporal, o que abriu caminho para coreografias mais complexas. Em uma primeira fase, os integrantes da comissão de frente eram, em geral, pessoas da própria comunidade. Essa característica reforça um dos aspectos mais simbólicos do carnaval: a possibilidade de transformar trabalhadores comuns — como pedreiros, empregadas domésticas ou enfermeiras — em figuras de destaque. Por conta dessa realidade, os ensaios aconteciam frequentemente de madrugada, pois era o único horário disponível para reunir pessoas que trabalhavam durante o dia. Esse modelo de organização marcou profundamente a cultura dos ensaios no carnaval. Com o passar do tempo, o quesito foi se profissionalizando. Hoje, a comissão de frente é majoritariamente formada por bailarinos ou pessoas com formação e atuação em dança, contratadas e remuneradas especificamente para essa função. Isso indica uma mudança estrutural importante: a comissão de frente deixa de ser apenas um espaço comunitário e passa a ser também um espaço profissionalizado, alterando o nível técnico da apresentação e a lógica de trabalho (...)”.

Nathália: “(...) Nos anos 1980, há uma valorização crescente da sincronia dos movimentos com o samba, e começam a aparecer sequências coreográficas mais evidentes. Já na década de 1990, com o trabalho do coreógrafo Fábio de Mello, a comissão de frente se consolida como espaço narrativo, onde o corpo passa a contar a história do enredo de forma central.

No início dos anos 2000, é incorporado ao segmento pequenas alegorias (conhecidas como tripés) e o elemento surpresa ganha força, especialmente com a dupla Priscilla Mota e Rodrigo Negri. A comissão “Segredo”, em que os dançarinos realizavam trocas de figurino diante do público sem revelar o mecanismo, marca definitivamente esse momento.

Essas transformações permitem que, hoje, a comissão de frente seja compreendida quase como uma obra autônoma dentro do desfile, com começo, meio e fim”.

Marcos complementa: (...) A partir de 2010, ocorre uma forte valorização dos recursos tecnológicos e dos efeitos especiais. Inspiradas em grandes espetáculos internacionais, como os do Cirque du Soleil, as comissões passaram a incorporar mecanismos cênicos, ilusionismo e outras tecnologias. Além do corpo e da dança, consagra-se a utilização de elementos alegóricos móveis, como os tripés, que funcionam de modo semelhante às coxias do teatro, permitindo esconder figurinos, realizar trocas de elenco e criar efeitos de surpresa. Esse uso dialoga com a formação teatral e clássica de muitos coreógrafos que passaram por esse espaço. Mais recentemente, sobretudo a partir de 2018, intensifica-se a busca por grandes efeitos cênicos no momento final da apresentação, que passa a funcionar como uma marca registrada da comissão de frente. A tecnologia torna-se cada vez mais pregnante, incorporando mecanismos, iluminação em LED, drones, estruturas móveis e outros dispositivos que produzem impacto visual. Assim, a comissão de frente passa de um grupo de apresentação e saudação para um dispositivo cênico complexo, no qual se articulam dança, teatralidade e tecnologia, e que se tornou um dos momentos mais aguardados pelo público e pelas próprias escolas de samba.


4 – Como você percebe a influência da tecnologia nas comissões de frente hoje?

Para Marcos: “A influência da tecnologia nas comissões de frente é muito significativa e, em muitos casos, tornou-se mais esperada do que o próprio trabalho corporal do grupo. Historicamente, o quesito comissão de frente foi o espaço do desfile em que a dança coreografada, ensaiada e estruturada tinha maior protagonismo, já que, ao longo do desfile, a dança aparece de forma mais difusa: nas baianas girando, nos passistas sambando, nas alas coreografadas e até nos carros alegóricos. Com a crescente centralidade dos efeitos tecnológicos, esse protagonismo do corpo vem sendo reduzido. Em muitos trabalhos recentes, o corpo passa a desempenhar funções operacionais — trocar figurino, subir em estruturas, acompanhar movimentos mecânicos — enquanto o foco principal recai sobre LEDs, mecanismos, transformações visuais e grandes aparatos cênicos. Observo também que vários coreógrafos passaram a criar coreografias mais simples e menos elaboradas, para não competir com o efeito tecnológico, que se torna o verdadeiro protagonista da cena. Assim, a coreografia deixa de ser o eixo da apresentação e passa a funcionar como pano de fundo para o efeito. Esse processo não se dá apenas por decisão dos coreógrafos, mas também pela expectativa do público, que muitas vezes aguarda mais o “truque” ou a transformação tecnológica do que a dança em si. Como há uma carência de formação e, consequentemente, capacidade de leitura de dança na sociedade, o efeito visual imediato torna-se mais facilmente compreendido e consumido do que a construção coreográfica”.

Para Nathália: “A tecnologia ampliou possibilidades de ilusão, impacto e leitura rápida. Isso é fato. O problema não é a tecnologia em si, mas o modo como ela é utilizada. Quando o recurso tecnológico não nasce da ideia, mas tenta salvá-la, o corpo passa a ocupar um lugar secundário. A tecnologia deveria potencializar a dança, não competir com ela”.


5 – Você acredita que a crescente utilização de recursos cênicos e tecnológicos retiram o protagonismo da dança e/ou do corpo na comissão de frente?

Marcos: “Sim. A tecnologia tem retirado o protagonismo da dança e do corpo na comissão de frente. Como já disse, é possível observar, especialmente a partir do final da década de 2010, que diversas comissões passaram a priorizar o impacto visual dos efeitos cênicos em detrimento da elaboração coreográfica. Em alguns trabalhos, o corpo deixa de ser o centro da narrativa e passa a ocupar um lugar secundário, atuando apenas como suporte para o funcionamento do efeito. A coreografia, nesses casos, torna-se simples, pouco enfática e subordinada ao aparato tecnológico. Isso gera um risco importante: se a tecnologia se torna mais central do que o corpo dançante, a própria necessidade do coreógrafo pode ser questionada, abrindo espaço para que esse trabalho seja substituído por profissionais especializados em tecnologia e efeitos visuais. Com isso, a dança perde um espaço simbólico e histórico que havia conquistado dentro do carnaval. Por isso, considero fundamental que haja uma reflexão crítica por parte dos coreógrafos e das agremiações sobre o equilíbrio entre corpo e tecnologia. A tecnologia pode ser um recurso potente, mas não deveria substituir o corpo como eixo do quesito. Caso contrário, corre-se o risco de transformar a comissão de frente em um espetáculo de efeitos, esvaziando sua dimensão coreográfica e corporal, que é justamente o que a distingue dos outros espaços do desfile”.

Nathália: “Em muitos casos sim, e isso precisa ser dito sem medo. Existe uma tendência de espetacularização que, por vezes, esvazia o corpo enquanto pensamento. O dançarino passa a operar mecanismos e não a comunicar ideias. Quando isso acontece, a comissão impressiona, mas não atravessa. A dança perde densidade simbólica. O desafio atual é recolocar o corpo como centro do discurso, mesmo usando tecnologia”.


6 – Por onde você inicia seu processo criativo coreografando comissão de frente?

Nathália: O ponto de partida é sempre o enredo e uma pergunta central: o que precisa ser compreendido nos primeiros segundos do desfile? A partir disso, penso o corpo como linguagem política e poética. Antes de pensar em efeito, penso em intenção. Nas minhas criações, o movimento precisa ter um porquê, não pode existir apenas pelo impacto visual.

Marcos: "Meu processo criativo começa pela palavra. (...) Algumas palavras-chave do enredo funcionam como disparadores de símbolos e ajudam a compor o imaginário inicial da comissão de frente. Em seguida, faço uma pesquisa visual. Busco estímulos em plataformas como Pinterest e Instagram, trabalhando com associação livre de imagens. Como também sou designer gráfico, realizo buscas mais específicas a partir de imagens mentais que surgem durante esse processo, construindo um campo visual de referências. Depois disso, inicio o trabalho corporal propriamente dito a partir do samba-enredo. Para mim, a associação livre em dança acontece por meio da improvisação. Improviso dançando ouvindo o samba-enredo, registro esses improvisos em vídeo e utilizo a câmera como uma espécie de testemunha do processo, em diálogo com a metodologia do Movimento Autêntico de Mary Whitehouse. Posteriormente, assisto aos registros e relaciono os gestos que surgem com as palavras e as imagens pesquisadas. A partir dessa articulação entre palavra, imagem e gesto, começo a construir uma narrativa coreográfica. Costumo estruturar três momentos principais: 1) uma coreografia de avanço na avenida; 2) uma coreografia voltada aos jurados; e 3) uma coreografia de transição após os jurados, enquanto o casal de mestre-sala e porta-bandeira se apresenta. Nessa transição, prefiro manter o grupo em movimento lento, evitando a imobilidade total. Esse momento permite reorganização, trocas de elenco e preparação para a retomada do avanço, criando um fluxo contínuo. Esse ciclo se repete ao longo do desfile: avanço, apresentação aos jurados e transição. Costumo criar essas coreografias inicialmente a partir do meu próprio corpo como referência de movimento. Nos primeiros ensaios, ensino o material aos intérpretes selecionados e início um trabalho de investigação das corporalidades, considerando se há personagens específicos, protagonistas ou se o grupo funciona como um corpo coletivo. Busco adaptar a coreografia aos corpos reais dos intérpretes, respeitando suas características físicas e expressivas. Esse processo inicial é, portanto, um campo de experimentação e ajuste, no qual a estrutura coreográfica se organiza em diálogo com as singularidades dos intérpretes". 


7 – Como é o diálogo entre você, carnavalesco e figurinista?

Nathália: “Sempre priorizo para que seja um diálogo horizontal. O carnavalesco tem a visão global do desfile e define como a comissão de frente se insere nesse todo. O figurinista traduz essa visão em materiais, formas e soluções visuais. Eu entro com as sugestões de conforto, adaptação e funcionalidade, garantindo que figurinos, elementos alegóricos e efeitos não comprometam o movimento e estejam em sintonia com o desenho coreográfico”.

Marcos: “No contexto das escolas em que atuo, que são principalmente de grupos que desfilam na Intendente Magalhães, o carnavalesco acumula também a função de figurinista. Por isso, o diálogo se dá, na prática, entre três instâncias: eu, o carnavalesco/figurinista e o presidente da escola, que é quem define o orçamento disponível para o quesito comissão de frente. Esse processo começa a partir das ideias de efeito que proponho, pensando em soluções simples, mas visualmente impactantes para a cena que quero construir. Costumo levar cerca de três propostas possíveis, já considerando o que é executável naquele contexto. Em seguida, discuto essas propostas com o carnavalesco/figurinista, que avalia se é possível realizá-las dentro do tempo disponível e com os materiais acessíveis. Nesse momento, entram em jogo as decisões sobre o que será figurino, o que será cenário (se houver) e o que será adereço de mão. É um equilíbrio constante entre custo, viabilidade técnica e efeito visual. Depois dessa conversa inicial, levamos as propostas ao presidente da escola, que avalia o impacto financeiro e define o que pode ou não ser realizado. Muitas vezes é necessário ajustar, simplificar ou redistribuir o investimento entre figurino, adereços e possíveis estruturas cênicas. A partir desse acordo entre coreógrafo, carnavalesco/figurinista e presidente, conseguimos fechar o efeito principal, o figurino e a linha dramática da apresentação. Isso é fundamental para que eu possa finalizar a coreografia. No início do processo, trabalho apenas com movimento, corpo e dança; depois que o efeito e o figurino estão definidos, inicia-se uma segunda fase, em que experimento esses recursos junto aos intérpretes e ajusto a coreografia às soluções cênicas escolhidas”.


8 – Que conselho daria para quem sonha em ser coreógrafo de comissão de frente?

Marcos: “O primeiro conselho é estar a caminho de tornar-se um contador de histórias com o corpo. Considero que a função principal do coreógrafo de comissão de frente deveria ser a de narrar uma história por meio da linguagem da dança. O efeito cênico pode existir, mas deveria ser acessório e até dispensável. A história precisa ser compreensível apenas com o corpo em movimento, mesmo em um ensaio simples com figurino neutro. Se a narrativa não fica clara sem o efeito, talvez seja necessário repensar a cena. Acredito, por isso, que a noção de dramaturgia corporal é fundamental para quem deseja ocupar esse espaço. É preciso investigar como o corpo constrói sentido, como organiza ações e como expressa-se ao público. Outro conselho importante é viver a experiência como intérprete. Dançar em comissão de frente permite compreender, na prática, o que funciona e o que não funciona, quais escolhas são potentes e quais fragilizam o trabalho. Muitas das minhas posições como coreógrafo nasceram dessa vivência: observar, sentir no corpo e, a partir disso, construir critérios próprios. Também considero essencial desenvolver uma postura crítica. Na dança, é comum a reprodução automática de modelos herdados de mestres ou tradições, sem reflexão. É importante saber responder por que se faz determinado movimento, por que se escolhe certo caminho estético e por que se recusa outro. Ter opinião sobre dança e sobre coreografia é parte do trabalho. Além disso, é preciso reconhecer a dimensão educativa dessa função. Ao coreografar, estamos ensinando o que entendemos por dança, por corpo e por expressão. Estamos formando intérpretes e, ao mesmo tempo, formando uma ideia de dança no carnaval. Por isso, é fundamental refletir e saber responder(-se) sobre o que a dança é e sobre o que ela pode ser. Por fim, quem quer atuar nesse quesito precisa compreender a dança como uma linguagem artística específica, com referências e contornos próprios, e não apenas como entretenimento. É importante estar preparado para defender a dança dentro do carnaval, especialmente em um contexto em que muitas vezes outras áreas têm mais visibilidade. Saber se posicionar é uma forma de fortalecer a presença da dança no desfile e valorizar o trabalho do coreógrafo como profissional da área”.

Nathália: “Estude carnaval de verdade. Estude história, corpo, dramaturgia. O carnaval é um sistema integrado, e entender o todo é fundamental antes de atuar em um quesito específico. Vá além dos vídeos de nota 10 e do YouTube. Converse com quem já dançou e dança em comissão de frente, escute coreógrafos, assistentes e profissionais que atuam no mercado. Por fim, desenvolva pensamento crítico e não confunda efeito com conceito, e respeite o corpo do outro. Comissão de frente não é sobre ego, é sobre conduzir uma ideia coletiva em poucos minutos e isso exige muito mais escuta do que vaidade. A comissão de frente continua sendo um campo vivo de disputa estética, política e simbólica. Quem entende isso, cria com mais responsabilidade e menos pirotecnia vazia”.


 
 
 

Comentários


Balleto Escola de Dança

Rua Coronel Cota, 56 - Méier, Rio de Janeiro - RJ

(21) 96841-2063

(21) 3594.6019 

bottom of page