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Os métodos e os estilos do balé clássico (Parte 1)

  • Foto do escritor: Nayara Calixto
    Nayara Calixto
  • há 7 horas
  • 3 min de leitura

Os chamados métodos do balé clássico são formas de ensinar, treinar e praticar essa técnica de dança. Ou seja, são sistemas de ensino bem estruturados de treinamento e formação de bailarinos e bailarinas. Entre os métodos de ensino mais difundidos e reconhecidos internacionalmente, vinculados às grandes escolas de balé, estão o Francês, o Italiano (Cecchetti), o Inglês (Royal Academy of Dance), o Russo (Vaganova) e o Cubano.

Além desses métodos, o Dinamarquês (Bournonville) e o Norte-Americano (Balanchine) também são frequentemente incluídos entre as principais escolas do balé clássico. Entretanto, há divergências entre pesquisadores e professores quanto à classificação de Bournonville e Balanchine, pois alguns os consideram estilos, tendo como justificativa que estes se relacionam mais às estéticas e às qualidades de movimento.


Apesar disso, o Bournonville é amplamente reconhecido como um método de treinamento com tradição pedagógica própria. A principal instituição que preserva o trabalho de August Bournonville (o criador) é o Balé Real Dinamarquês (The Royal Danish Ballet). Já Balanchine é frequentemente descrito como uma técnica ou estilo associado à estética neoclássica de seu criador George Balanchine, embora também possua uma prática pedagógica em escolas ligadas à sua tradição, principalmente nos Estados Unidos.


As diferenças de classificação não se explicam apenas pela acessibilidade da bibliografia relacionada à menor difusão internacional de algumas fontes pedagógicas e históricas, especialmente quando comparadas aos métodos Vaganova e Royal Academy of Dance, mas também pelos critérios adotados por pesquisadores e professores para definir o que caracteriza um método de ensino de balé clássico.


Embora os diferentes métodos tenham desenvolvido características técnicas e pedagógicas próprias ao longo do tempo, em termos históricos, pode-se considerar que a tradição francesa constitui a base do balé clássico. Isso porque, apesar das raízes da dança que hoje conhecemos como balé estejam nas cortes italianas, foi a França que desempenhou papel central em sua estruturação e sistematização. Foi em território francês que surgiu a primeira instituição formal de ensino de balé, a Escola Real de Dança, fundada em 1661 por Luís XIV. Nessa instituição, Pierre Beauchamp sistematizou as cinco posições dos pés utilizadas até hoje. Não por acaso, grande parte da nomenclatura dos passos permanece predominantemente francesa.


Assim, podemos afirmar que a base técnica do balé clássico é a mesma em todos os métodos e estilos. No entanto, ela não é ensinada nem executada exatamente da mesma forma em todos os lugares. Existem diferenças significativas na execução de determinados movimentos, bem como em algumas nomenclaturas, posições de braços, posições de arabesques e abordagens pedagógicas. Nesse sentido, uma mesma palavra pode se referir a passos ou exercícios distintos. Além disso, há diferenças na estrutura das aulas e nos princípios adotados, que influenciam diretamente a maneira de dançar:

“É curioso como a técnica do ballet clássico parece ser tão universal até que se perceba a completa distinção entre as escolas. Americanos treinados por Balanchine, por exemplo, desalinham o quadril em arabesque, assim como se permitem a outros tipos de distorções visando atingir mais velocidade e uma linha mais aerodinâmica. Já os bailarinos britânicos ficaram horrorizados e consideraram estas distorções de muito mau gosto, priorizando um estilo mais contido e reservado” (Cidrim, 2021).

Algo interessante de ser observado nos diferentes métodos é que eles refletem certas diferenças culturais dos locais onde foram criados. Por exemplo, o método cubano mescla os princípios da escola russa (e elementos de outras escolas) pensando as particularidades do biotipo corporal latino. Os bailarinos cubanos são conhecidos por sua força e agilidade.

Essas diferenças podem ser observadas até mesmo nas variações de repertório. Uma mesma variação, dançada por grandes companhias, pode apresentar distinções não apenas na remontagem, mas também no estilo de interpretação e execução. Veja, abaixo, a variação do terceiro ato de Kitri do balé Dom Quixote nas versões da Royal Ballet, do Ballet Bolshoi e do Pacific Northwest Ballet.



No Brasil, dependendo da escola de dança e do professor, as diferenças entre os métodos podem ser difíceis de identificar, pois muitas vezes as aulas resultam de uma combinação de diferentes abordagens. No entanto, ao participarmos de uma aula que segue rigorosamente o método Royal e, em seguida, de outra baseada no método Vaganova — os dois métodos mais difundidos no país —, é possível perceber as diferenças entre eles no próprio corpo.

Essa questão se relaciona com a segunda parte desta sequência de posts sobre os métodos do balé clássico, na qual discutiremos alguns dos possíveis motivos pelos quais ainda não existe um método brasileiro de ensino do balé clássico amplamente reconhecido internacionalmente.


Referências: 

CIDRIM, Kamila. Ballet: Métodos e Corpos, 2021.

SILVA, Anna Beatriz Sanchez. A Arte, o Corpo e a Estética no Ballet Clássico, 2020.

Alice Arja - METODOLOGIAS E ESTILOS DO BALLET || Royal, Cecchetti, Vaganova, Cubana, Bournonville, Balanchine. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ShFzh3k6Jr8&t=271s


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