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1 de setembro: a construção do ideal de bailarina

  • Foto do escritor: Nayara Calixto
    Nayara Calixto
  • há 14 minutos
  • 3 min de leitura

Quando falamos da imagem de uma bailarina, muitas pessoas imaginam uma mulher magra, longilínea, de pele clara, delicada e frágil, vestindo roupas em tons rosados.


La Sylphide - English National Ballet
La Sylphide - English National Ballet

Esse imaginário social em torno do ideal de bailarina não surgiu por acaso. Ele é resultado de uma construção histórica do balé, uma dança que se desenvolveu nas cortes europeias e que, durante muito tempo, esteve profundamente ligada às elites brancas.

Como discutimos em outros posts, embora hoje o balé seja amplamente reconhecido como uma dança feminina, entre os séculos XVII e XVIII os homens eram protagonistas nos palcos, chegando inclusive a interpretar até os papéis femininos. Foi somente a partir do Romantismo que as mulheres passaram a ocupar o lugar de maior destaque nas produções.

No entanto, essa transformação não significou necessariamente uma ruptura com as narrativas construídas pelos homens. Pelo contrário: as representações femininas presentes no balé romântico reforçavam a imagem da mulher como um ser delicado, frágil, etéreo, de pele pálida e idealizado. É nesse contexto que se consolida grande parte do imaginário que ainda hoje associamos à figura da bailarina. Ou seja, o ideal de bailarina que conhecemos atualmente não é natural. Ele foi construído ao longo de séculos, dentro de um contexto histórico, social e cultural específico.


La Fille mal gardée - Royal Ballet
La Fille mal gardée - Royal Ballet

Hoje, o balé é praticado em diversas partes do mundo por pessoas de diferentes classes sociais, gêneros, corpos e raças. Ainda assim, os padrões construídos historicamente continuam influenciando a forma como enxergamos quem pode ou não ocupar o lugar de bailarina. Portanto, refletir sobre essa construção é também uma forma de questionar quais corpos foram historicamente valorizados dentro do balé e quais ainda lutam para serem reconhecidos.



Atividade - Meu uniforme do balé


Foi a partir dessa problemática que conversamos sobre a história e as vestimentas do balé clássico nas turmas do Preparatório ao 3º ano do balé. Na atividade em questão, conversamos com as alunas sobre a origem do balé e o porquê de a meia-calça e as sapatilhas serem tradicionalmente nas cores salmão e rosa-claro. Nesse momento, entendemos que esses itens foram criados nessas cores para se adequarem à cor de pele das bailarinas da época, que, majoritariamente, eram brancas.



Com essa atividade, pudemos refletir, por exemplo, sobre o fato da Balleto conter bailarinas com diferentes tons de pele e que, logo, para algumas, as vestimentas teriam que ser em tons de bege e marrom para melhor se adequarem e dar a sensação de continuidade nas linhas de pernas e pés.



Cada bailarina coloriu um desenho do seu próprio uniforme de balé, pintando a meia-calça e sapatilhas na cor que melhor remetia à sua cor de pele, assim, também se reconhecendo. Esse foi um momento de estudo e de reflexão sobre o próprio balé clássico, desconstruindo a ideia, ainda comum, de que certas tradições não podem ser questionadas ou até modificadas. Até porque, seguindo os objetivos dos itens, quando uma bailarina negra utiliza uma meia-calça na cor de sua pele, ela está cumprindo com o objetivo estético do item.




Parceria Bloch + Balleto


Bailarinas negras ainda enfrentam dificuldades para encontrar meias-calças e sapatilhas que correspondam aos seus tons de pele nas lojas de artigos de dança. Pensando em tornar o acesso a esses produtos mais fácil e inclusivo, fizemos uma parceria com a Bloch Brasil.

A partir de agora, temos meias-calças em duas tonalidades de pele negra disponíveis para venda na secretaria da escola. Também temos sapatilha de meia ponta sob encomenda. Com isso, buscamos contribuir para que cada bailarina possa se sentir representada e acolhida também em sua vestimenta para a dança.


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Balleto Escola de Dança

Rua Coronel Cota, 56 - Méier, Rio de Janeiro - RJ

(21) 96841-2063

(21) 3594.6019 

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