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Por trás do movimento: o papel da flexibilidade e da mobilidade na dança

  • Foto do escritor: Nayara Calixto
    Nayara Calixto
  • há 6 dias
  • 3 min de leitura

Por trás dos movimentos na dança deve existir um trabalho fundamental de preparação do corpo. Nesse contexto entram dois conceitos frequentemente confundidos: flexibilidade e mobilidade.

Essas duas capacidades físicas desempenham papéis diferentes e igualmente importantes para quem dança. Dessa forma, uma pessoa pode ser flexível e ainda ter pouca mobilidade. Semelhantemente, alguém pode ter uma boa mobilidade sem apresentar uma flexibilidade excepcional.

Neste post, discutiremos o que diferencia essas capacidades, como elas influenciam o desempenho e a prevenção de lesões, e quais práticas ajudam a desenvolvê-las de forma segura e eficiente.

Para isso, contaremos com a participação da nossa professora de balé clássico e flexfit Pâmella Bittencourt, que é bacharela em Educação Física e especialista em Biomecânica e Fisiologia do Exercício.



O que é flexibilidade e o que é mobilidade?

Profa. Pâmella: A flexibilidade é um componente físico muito importante para a saúde e está relacionada à capacidade de um músculo e dos tecidos ao redor de uma articulação permitirem que ela alcance determinada amplitude de movimento. Já a mobilidade articular, está relacionada à capacidade do corpo de se mover com grande amplitude de forma eficiente e sem restrições, essa definição vai além da flexibilidade que tem relação apenas com os tecidos moles, músculos, e inclui as articulações. Na dança, isso é fundamental, porque não basta alcançar uma grande amplitude de movimento, é preciso ter controle sobre ela para executar o movimento com qualidade e segurança.


Por que a dança depende das duas?

Profa. Pâmella: A dança exige movimentos amplos, precisos e que serão realizados em diferentes velocidades e posições. Ter apenas boa flexibilidade e não ter controle, pode não ser suficiente. O bailarino precisa ter uma boa amplitude de movimento e, principalmente, ter força e controle para sustentar e utilizar essa amplitude durante a execução. Flexibilidade e mobilidade, são coisas completamente diferentes, mas são complementares e devem ser trabalhadas de acordo com as necessidades individuais de cada bailarino.


Quanto mais eu alongar, melhor será o desempenho? 

Profa. Pâmella: Não necessariamente. O excesso de flexibilidade não significa automaticamente melhor desempenho. O objetivo não deve ser buscar apenas a maior amplitude possível, mas desenvolver uma amplitude que seja funcional para a modalidade e que o corpo consiga controlar. O trabalho de flexibilidade precisa estar associado ao fortalecimento e à mobilidade, respeitando sempre a individualidade biológica de cada aluno 


O que acontece no corpo quando mobilidade e flexibilidade são trabalhadas corretamente?

Profa. Pâmella: Quando trabalhadas de maneira adequada e de forma integrada ao fortalecimento, a flexibilidade e a mobilidade podem trazer diversos benefícios para quem dança, contribuindo para uma melhor qualidade dos movimentos, maior eficiência na execução da técnica e um melhor aproveitamento das amplitudes necessárias em cada movimento. Além disso, ter uma amplitude adequada e, principalmente, conseguir controlá-la, permite que o bailarino execute os movimentos com muito mais segurança e eficiência, podendo reduzir sobrecargas desnecessárias. No entanto, é importante compreender que a prevenção de lesões não depende de uma única capacidade física, mas de um conjunto de fatores, como força, mobilidade, flexibilidade, coordenação e equilíbrio, por exemplo, sempre respeitando a individualidade e as necessidades de cada bailarino. Dessa forma, quando essas capacidades são desenvolvidas de maneira equilibrada, construímos um corpo muito mais preparado para lidar com as demandas específicas da dança. 


Qual é a importância do aquecimento antes de buscar amplitude?

Profa. Pâmella: O aquecimento prepara o corpo para o exercício, aumentando gradualmente a temperatura corporal e preparando músculos e articulações para as demandas que serão realizadas. Para quem dança, isso é especialmente importante antes de buscar amplitudes maiores, porque o corpo precisa estar preparado para receber aquela demanda. O ideal é começar com movimentos mais leves e progressivamente ir aumentando a amplitude e a intensidade. 


Qual é a diferença entre alongamento estático e alongamento dinâmico?

Profa. Pâmella: O alongamento estático, como o próprio nome indica, é realizado quando alongamos o músculo em uma determinada posição por um período de tempo, buscando trabalhar a amplitude de movimento de forma mais passiva. Já o alongamento dinâmico envolve a repetida extensão dos músculos, são movimentos ativos, repetidos e controlados, explorando a amplitude de maneira progressiva e funcional. Durante esses movimentos, há um aumento da temperatura muscular, uma redução da viscosidade dos tecidos e uma preparação mais eficiente do corpo para as demandas do movimento. Por isso, os exercícios de mobilidade e alongamentos dinâmicos são mais interessantes antes de uma aula, treino ou apresentação de dança, pois contribuem tanto para a preparação fisiológica quanto funcional do bailarino. O alongamento estático também pode ser utilizado, mas seu momento e objetivo devem ser definidos de acordo com as necessidades individuais e com o contexto da preparação física.



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